Pr. Ricardo Garcia

“Tua presença em minha vida, Tua vontade em minha vida, Tua presença em minha vida, Deus soberano …”

Temos cantado muitas vezes esse refrão e refrões como esse. Realmente queremos a presença de Deus conosco. Mesmo não estando seguros com nossa performance diante de Deus, de maneira que possamos atraí-lo a estar conosco, sabemos dos benefícios de Sua poderosa presença em nossas vidas. Os milagres, as curas, o perdão, a alegria, os dons do Espírito Santo nos atraem a clamar por Sua presença.

Deus garante sua presença conosco

Deus garante sua presença conosco quando nos reunirmos em Seu nome:

“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.”  (Mateus 18:20)

Portanto, é razoável pensarmos em pedir por Sua presença, clamar por ela, criarmos expectativas sobre Sua manifestação em nosso meio. Sei também que, muitas vezes, mesmo sem que nossa fé esteja tão firme sobre a presença de Deus conosco Ele tem manifestado seu amor, graça e misericórdia a nosso favor, quando nos reunimos em seu nome. Gosto de pensar sobre isso porque, mesmo sabendo da importância de minha fé e de que ela pode levar-me a lugares jamais experimentados ou vistos antes, fortaleço-me em saber que Deus não depende de minha fé para  cumprir suas promessas e agir em favor de minha vida.

Apesar disso, um aspecto que tem me preocupado é sobre a nossa participação nesse encontro que esperamos com a presença de Deus. Afinal, um encontro sugere a participação de duas ou mais pessoas e isso, intencionalmente. Vejamos como exemplo um centro comercial cheio de pessoas. Elas vêm umas as outras, comparam-se em suas roupas, esbarram-se, mas necessariamente não se encontram. Mesmo para duas pessoas que se conhecem, ao se reconhecerem na rua ou num shopping, precisam decidir aproximarem-se e conversarem. Um encontro é intencional. Como é triste e vergonhoso quando vemos alguém que conhecemos e fazemos a maior festa, abanamos os braços, sorrimos, gritamos seu nome e essa pessoa não nos reconhece, ou faz pouco caso. Infelizmente é isso que fazemos com a presença de Deus. A grande diferença é que Deus não poderia ser envergonhado por isso, pois em sua soberania Ele está acima de todas as coisas. Sua presença é em si mesma completa, não dependendo de mais nada ou ninguém. Mas creio que muitas vezes Deus simplesmente não se manifesta. Afinal Ele é o “Grande Eu Sou”.

Pense comigo sobre nossas reuniões, nossos cultos, nossas festas, nossas programações. Temos respeitado a presença de Deus? Em nosso dia a dia, temos agido como se Deus estivesse presente? Infelizmente, por mim mesmo devo dizer que não. Temos clamado para que Deus esteja presente conosco, mas não temos feito nada para que esse encontro aconteça. Passamos por Deus, Ele veio ao nosso encontro, enxergamos Deus de longe e não o reconhecemos, e às vezes nem o vemos. Pedimos para que Ele esteja presente conosco, mas não estamos presentes com Ele. Nos últimos anos tenho sido espremido por essa triste verdade.

Sua palavra é clara

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo o vosso coração.”  (Jeremias 29:13)

Precisamos ter em nossos corações esse direcionamento para buscar a presença de Deus como algo intencional e com intensidade, esforço, fruto de uma necessidade que temos de sua presença. Creio que assim um ciclo de sentimentos e atitudes dará início, como quando comemos algo gostoso que, ao mesmo tempo, é o suprimento de uma necessidade e um prazer. Essa fome que o próprio Deus colocou em nós, a fome de sua presença, será suprida e aumentada à medida que tivermos tempo de qualidade em Sua presença.

Tanto é importante o encontro com nosso Rei Jesus, como a preparação para esse encontro, a expectativa que é gerada a partir do momento que sentimos a necessidade da Sua presença e decidimos, em nossos corações, separar um tempo para buscá-lo, adorá-lo, receber o Seu Espírito Santo, Seu poderoso mover, Sua alegria e desfrutar de sua presença. Pensamos nas palavras que usaremos para nos motivar a adorá-lo, as palavras que diremos a Ele, o que pediremos, o que receberemos, a alegria que será derramada sobre nossos corações e as soluções que Ele dará para nossos problemas. Isso é verdade porque Deus é atemporal e nosso encontro com Ele começa desde a sua preparação.

Existe um lugar que não é definido por uma coordenada geográfica, um ponto no globo terrestre, um monte consagrado ou uma catedral decorada de anjos e nuvens. O lugar abençoado por Deus, onde somos revigorados, perdoados e sarados é o monte santo da sua presença, o lugar chamado “Encontro”, o momento que decidimos, nos preparamos e encontramos com o Senhor Jesus.

“ Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. Estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração que se fizer neste lugar.” (2 Crônicas 7:14)

Esses momentos são os melhores, os mais vivos, inesquecíveis, maravilhosos.

“Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade.” (Salmos 84:10)

“Alegrei-me quando me disseram: Vamos à Casa do Senhor.” (Salmo 122:01).

“O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano. Plantados na Casa do Senhor, florescerão nos átrios do nosso Deus.” (Salmo 92:12,13)

“Eu amo, Senhor, a habitação de tua casa e o lugar onde tua glória assiste.” (Salmo 26:08)

“Bem aventurado aquele a quem escolhes e aproximas de ti, para que assista nos teus átrios; ficaremos satisfeitos com a bondade de tua casa – o teu santo templo.”  (Salmo 65:04)

“Bem aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.” (Salmo 84:04)

Acredito nesse lugar precioso, cheio de alegria e santidade, onde a comunhão com Deus representa os limiares do templo, sua estrutura, suas portas e janelas, seu altar. O som que se houve é o da adoração sincera e a grandeza de Deus está impregnada na atmosfera do templo. Sua luz é a glória de Deus e seu aroma como cheiro do óleo da unção. A segurança dos que estão neste lugar é vista e sentida em todos os cantos, sendo a paz espelhada nos olhares de quem adora. Precisamos ser renovados na visão sobre este lugar, na expectativa de encontrá-lo, no desejo de desfrutá-lo, na fé de clamar por ele e na coragem de entrar sem ter prazo para sair.

Marcos Witt, um exemplo de adorador nos tempos atuais para mim, diz em seu livro “Adoremos”, pág 47: “…É indispensável que tenhamos tempo e o trabalho de buscar a face do Senhor.”

Você está pronto para decidir ser renovado no conceito sobre a presença de Deus? Ou melhor, está pronto para ser renovado na presença de Deus?

Renovação no relacionamento com o Senhor

O Rei Ezequias decidiu pela renovação no relacionamento da nação de Israel com o Senhor após muito tempo de abandono do templo, do descaso do povo e sua liderança com a presença de Deus e seus estatutos. O templo estava abandonado, sujo, alguns utensílios haviam sido levados, o altar estava sem condições de uso, as portas do templo estavam fechadas e danificadas.

É assim que nossas vidas se tornam quando esquecemos da presença de Deus. A sujeira toma conta, as portas se fecham, nos fechamos para os relacionamentos, ninguém entra, ficamos como um prédio abandonado, falta-nos elementos essenciais à vida cristã, eles foram levados devido ao nosso descaso, fatos alheios à nossa vontade roubam nossa força, nossa alegria, nosso prazer, tudo porque abandonamos a presença de Deus. O altar precisa ser restaurado, as portas abertas e consertadas, o templo precisa de uma limpeza geral e profunda, os utensílios que foram levados devem ser restituídos para que a adoração venha ser novamente ouvida em nossas vidas.

“ No ano primeiro do seu reinado, no primeiro mês, abriu as portas da casa do Senhor, e as reparou. Trouxe os sacerdotes e os levitas, ajuntou-os na praça oriental, e lhes disse: Ouvi-me, ó levitas, Santificai-vos agora, e santificai a casa do Senhor, Deus de vossos pais; tirai do santuário a imundícia”. (2 Crônicas 29:03-05)

“Agora estou resolvido a fazer aliança com o Senhor, Deus de Israel, para que se desvie de nós o ardor da sua ira.” (2 Crônicas 29:10)

Façamos agora nossa decisão, como fez o rei Ezequias! Como disse antes, a preparação é tão importante quanto o encontro. Deus valoriza cada um desses momentos. Vejamos alguns aspectos da preparação de Ezequias.

Purificação pessoal – Purificação Congregacional

Antes de trazermos algo para a adoração congregacional, precisamos passar por um processo de purificação pessoal.

“Congregaram a seus irmãos, santificaram-se e vieram segundo a ordem do rei pelas palavras do Senhor, para purificarem a casa do Senhor.” (2 Crônicas 29:15)

Essa purificação passa por todos os passos da purificação congregacional, só que está voltada para nosso interior. Quando estamos participando da purificação congregacional voltamos também para nosso interior, só que neste momento, estamos conectados com nossos irmãos e o ministério.

Retirando a sujeira

Purificação implica em limpeza, muitas vezes pesada. Toda a sujeira deve ser retirada para fora de nossas vidas. O reconhecimento dessa sujeira é muito importante no processo de purificação, pois só podemos retirar o que é sujo, se soubermos identificá-lo. Um quebrantamento faz-se necessário nessa hora para que o orgulho não nos impeça de reconhecer que falhamos. O arrependimento, o pedido de perdão e a cura através de receber esse perdão de Jesus são passos importantes nesse processo. Alegre-se, a cura está por vir!

“Os sacerdotes entraram na casa do Senhor, para a purificar, e tiraram para fora, ao pátio da casa do Senhor, toda imundícia que acharam no templo do Senhor; e os levitas a tomaram, para levaram fora, ao ribeiro Cedrom.” (2 Crônicas 29:16).

Abra as portas, conserte-as, permita que os levitas entrem, que retirem a sujeira. Permita que o Espírito Santo sonde e limpe seu coração. Como na purificação de Ezequias, a sujeira provavelmente seja vista quando for colocada no pátio, mas logo sairá de lá também; Serão levadas pelas águas do ribeiro. Muitas vezes a exposição do pecado é inevitável, muitos verão, você poderá ser julgado pelas pessoas, mas anime-se porque Deus restaurará o altar em sua vida e o fogo estará de volta, queimando o sacrifício, levando sua adoração até Deus.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tiago 5:16).

O retorno à liderança

Assim que os levitas terminaram sua tarefa na purificação, procuraram o rei Ezequias e anunciaram-lhe o feito. Normalmente a liderança está se ocupando de uma preocupação legítima para com o trabalho e os trabalhadores. No mundo moderno, devido ao conceito de independência, as pessoas pensam que não devem satisfação de suas vidas a ninguém. Esse texto demonstra claramente que sobre nossas vidas e sobre tarefas que assumimos, devemos dar retorno aos nossos líderes. Procure seus líderes e diga com todas as letras sobre a obra que o Espírito Santo está fazendo em sua vida. Diga a eles sobre como você executou a tarefa, como tomou a direção que foi-lhe dada, dê retorno.

“Então, foram ter com o rei Ezequias no palácio, e disseram: Já purificamos toda a casa do Senhor, como também o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a mesa da proposição com todos os seus objetos.” (2 Crônicas 29:18,19)

A intenção e disponibilidade de ir além

Muitos hoje estão tão sobrecarregados com as demandas da vida que se acostumaram a fazer somente o mínimo de cada solicitação. Assim queremos fazer também somente o mínimo quando nos orientam a pedir perdão, pedimos somente sobre um mínimo, nos expomos somente o mínimo e esperamos somente isso em retorno: uma cura somente no mínimo.

Como é bom ver pessoas que estão dispostas a dar além do que foi pedido, ir além do que somente o básico, expor-se além do que seja confortável, para que a cura seja completa e abundante. Assim fizeram os levitas com relação ao que tinha ordenado o rei Ezequias.

“Também todos os objetos que o rei Acaz no seu reinado lançou fora, na sua transgressão, já preparamos e santificamos; e eis que estão diante do altar do Senhor.” (2 Crônicas 29:19)

O Encontro – A Adoração

Não podemos nos esquecer de que a adoração é o que buscamos nesse processo. Até aqui estivemos preparando o templo, nossas vidas. Agora precisamos continuar e adorar a Deus com toda a força e intenção.

Muitos estão envolvidos nos trabalhos do ministério e gastam bastante energia nisso. Mas o momento de adoração é a hora do encontro, o momento esperado.

“Deu ordem Ezequias que oferecessem o holocausto sobre o altar. Em começando o holocausto, começou também o cântico ao Senhor com as trombetas, ao som dos instrumentos de Davi, rei de Israel. Toda a congregação se prostrou, quando se entoava o cântico, e as trombetas soavam; tudo isto até findar-se o holocausto.” (2 Crônicas 29:27,28).

Não perca este momento. A adoração deve começar. As trombetas estão soando e Deus vai manifestar a Sua presença. Prostre-se agora mesmo e adore a Jesus.