Rogério Mendes Teixeira

“Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:20-25).

Adoração e nossa vida real

É interessante perceber que um dos temas mais discutidos e controvertidos hoje na igreja, tenha sido ensinado por Jesus de maneira tão singular e baseado na vida real.

A adoração tem ocupado páginas e páginas de livros, uns enfatizam o estilo e a forma, enquanto outros, a essência. E tem aqueles que entendem que a adoração não deveria ocupar tanto espaço assim, pois a nossa missão é: dizem eles, “ganhar almas”.

Quando olhamos para esse episódio na vida de Jesus, o primeiro fato que deve ficar evidente é que adoração tem que ver com a vida real. Não é algo que deve acontecer num momento sagrado ou em um lugar sagrado, com vestes sagradas, e cercados por pessoas santas. A verdadeira adoração está ligada ao nosso dia a dia, acontece em meio aos conflitos e problemas da vida.

Jesus apresenta o mais elevado conceito de adoração, conversando com uma mulher pecadora, com uma vida toda desorganizada, e além de tudo samaritana. Jesus diz que Deus está à procura de adoradores, e o importante não é aonde, pois a adoração pode não ser autêntica, tanto num lugar como em outro: tanto em Samaria como em Jerusalém, tanto na casa como no templo.

Então Jesus apresenta:

Como e a Quem a Adoração deve se dirigir

Ele afirma: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” .

E o que isso significa:

Adorar em espírito é o oposto de adorar de formas meramente exteriores, é contrário ao tradicionalismo e ao formalismo sem sentidos.

E adorar em verdade é o contrário de uma adoração baseada na compreensão inadequada e equivocada de Deus.

Adoração precisa envolver cabeça e peito, mente e coração, razão e emoção, pensamento e sentimento.

John Piper junta esses elementos através da figura da fornalha, do combustível, do fogo e do calor:

“O combustível da adoração é a visão correta da grandeza de Deus; o fogo que faz o combustível queimar com calor extremo é o avivamento do Espírito Santo; a fornalha acesa é o nosso espírito renovado pela verdade da Palavra de Deus; e como conseqüência, temos o calor das nossas afeições e emoções que explodem em genuína adoração. “

É o calor, ou seja, as nossas emoções e afetos que tornam a adoração autêntica.

Para que a adoração seja verdadeira, cada elemento deve estar presente, no entanto, quem a autentica, são as nossas emoções, é o nosso envolvimento, a resposta gerada em nosso ser, que torna a adoração genuína.

A nossa adoração pode ser fútil, em vão: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).

Então como podemos adorar a Deus verdadeiramente?

O Propósito da Adoração

Todos concordam que o propósito da adoração é glorificar a Deus. Adoração, na origem anglo-saxônica significa: “valor”, atribui essencialmente valor a Deus, reconhece que Ele é digno da nossa adoração.

Glorificar a Deus, então é crer n’Ele e considerá-Lo o Único Deus Santo, Justo, Amoroso, Todo-Poderoso, significa reconhecer que Ele é a fonte e o doador de tudo o que é bom, perfeito e verdadeiro.

Uma verdadeira experiência de Adoração

“ 36 Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. 37 E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;  38 e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento. 39 Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.4 0 Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre.  41 Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. 42 Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? 43 Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. 44 E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45 Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. 46 Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. 47 Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. 48 Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. 49 Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? 50 Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.”

Aquela mulher vence a timidez e a vergonha

Uma verdadeira experiência de Adoração envolve nosso encontro com Deus.

Aquela mulher, sem nome, e com um apelido pejorativo, conhecida como pecadora, teve um encontro com Deus feito carne, Jesus de Nazaré.

Provavelmente, Deus já havia encontrado aquela mulher, pois pela sua iniciativa, o seu coração já estava totalmente voltado para Deus. Ela já havia sido encontrada pelo Senhor, e agora, vence barreiras tremendas e chega aos pés de Jesus para adorá-Lo.

Encontrar Deus é o início da nossa adoração. No entanto, devemos compreender que só podemos nos encontrar com Deus, se Ele nos encontrar primeiro. Precisamos permitir que Deus nos ache.

Essa experiência revela a grandeza e o poder de Deus em Jesus. Ela viu em Jesus o próprio Deus, digno de receber toda adoração.

Aquela mulher reconhece sua condição, uma pecadora

Uma verdadeira experiência de adoração, envolve nosso encontro com nós mesmos.

Ela não se acha digna de estar em pé naquele local, o melhor lugar que ela encontrou foi aos pés de Jesus, ali derramou sua oferta e todo o seu coração.

Aproximar-nos de Deus, algo extraordinário acontece. Ao mesmo tempo em que nos enleva, nos alegra, também nos humilha.Graças a Deus, que o Senhor mostra os nossos pecados, e Ele mesmo providencia o perdão, a purificação.

Aleluia! Podemos falar como Isaías: “Toca-me com brasa vivas do teu altar, Senhor”.

“Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Pois nenhuma condenação há para os que estão em Crsto, que não andam mais segundo a carne, mas andam segundo o espírito! (Romanos 7:25, 8:1).

“Os teus pecados estão perdoados”

Uma genuína experiência de adoração atrai o amor e a graça de Deus.

Não há aquele que após ver Deus, ser confrontado por sua gloriosa presença, se quebranta e entende a sua pequenez e inconformidade, que seja despedido vazio.

O nosso Deus responde a nossa adoração, quando nos colocamos diante d’Ele em total submissão, quando nos prostramos ante a Ele e reconhecemos o nosso pecado, quando diante da sua glória, nos arrependemos e clamamos por socorro. Deus sabe atender e suprir a necessidade de um verdadeiro adorador, e a por esses que ele está a procura.

“Vai e não peques mais”

Uma genuína experiência de adoração nos remete a viver em santidade

A partir daquele momento, aquela mulher tornou-se uma nova criatura, uma pessoa transformada pelo amor e pela graça de Deus.

Ela entrou naquela casa, prostrou-se aos pés do Senhor Jesus e O adorou. Agora ela sai com a missão de servir. Servir a Deus em santidade, liberta do pecado, com uma nova esperança, com novas perspectivas e possibilidades. Ela foi encontrada por Deus como uma verdadeira adoradora.

Esse também é o nosso chamado. Todo aquele que deseja ser encontrado como verdadeiro adorador, recebe a missão de “ir e não pecar mais”, ou seja, sair para viver e servir a Deus em santidade.