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Iran Bernardes da Costa & Neuza Maria dos Santos Costa

Iran Bernardes da Costa & Neuza Maria dos Santos Costa

Superintendente geral

Casados desde 1969, têm 2 filhos e 5 netos. Fundaram o Ministério Grão de Mostarda, em 1994, e o HESSED Instituto da Família, em 2016. Desde o casamento sempre serviram a Deus como líderes e pastores. Nos últimos 30 anos têm se dedicado ao ministério com foco em famílias. Juntos escreveram Hessed, Pais e Filhos (2011) e A Glória do Matrimônio (2016).

Neuza Maria dos Santos Costa é Portadora de Magistério pela Escola Normal de Brasília, DF.

Iran Bernardes da Costa é bacharel em Direito e Teologia, e mestre em Artes Ministeriais (MAR) pela Emmanuel School of Religion, Johnson City, TN, EUA. Cursou o Doutorado em Ministérios Cristãos (DMin.) na Faculdade Teológica Sul Americana, Londrina, PR. É autor do livro Ministério Saudável, ed. Descoberta, e co-editor do livro Igreja Doméstica, pela Arte Impressa Editora.

UMA VISÃO E UM SONHO

Terminado o culto de domingo à noite, em 25 de abril de 1993, fui direto para casa. Nem esperei por Neuza, Raqueline e Paulinho. Nós morávamos bem perto da igreja e íamos muitas vezes a pé.

Cheguei em casa e não podia conciliar-me comigo mesmo. Algo de errado, desencontros, desgostos, tristezas, derrotas e fracassos. Quando eles chegaram, me acharam na sala e eu fiquei me revolvendo sobre o tapete como que agonizando em busca de algo mais relevante, mais significativo. Tudo havia perdido o sentido para mim.

Naquele culto, mesmo com várias pessoas vindo até nós e confessando seus pecados e reconhecendo Jesus como seu Salvador, restava dentro de mim uma enorme insatisfação. Nós vínhamos de uma “campanha de vinte e um dias de oração e jejum”, contudo, nos faltava uma resposta. “Preciso de um ministério relevante, livre e próspero! Deve existir algo melhor”

Por volta de umas três horas da manhã, tive um sonho e, neste, uma visão: “Eu me encontrava no púlpito da igreja ministrando a Palavra e, de repente, as paredes do templo desapareceram. Não havia mais teto, nem telhado. Ouvi ruídos de inúmeros caminhões basculantes chegando e despejando cascalho ao redor do templo. Era um cascalho limpo, bonito e brilhante, pois era formado só de pepitas de ouro. Aqueles montes começaram a revolver como se estivessem dentro de um enorme liquidificador e misteriosamente, penetravam para debaixo dos fundamentos do templo, como que compactando espaços solapados por muitos anos de erosão.

Em seguida, vi descer do céu colunas de prata, cilíndricas, de uns oitenta centímetros de diâmetro. Elas penetravam o solo em posições aleatórias, não mais obedecendo a arquitetura original. Depois, emergiram até a altura de uns sete metros, sendo um metro na parte inferior todo em ouro e o restante acima, em prata. Vi, vindo do céu, num horizonte longínquo, uma minúscula imagem informe. Com a sua aproximação, percebi que tinha, sim, o formato do mapa do Brasil, com prolongamentos para fora do nosso território.

Esse mapa parou sobre o tempo sem paredes, sobre as colunas e desceu para se ajustar em parafusos de duas polegadas e ser fixado com porcas. Cada coluna estava na posição correspondente a uma capital de estado. Assim foi o sonho e a visão.

Não restou dúvida de que Deus estava nos contemplando com um ministério completamente novo e fora de qualquer padrão convencional. Tendo, como fundamento, os valores; como colunas, os ministérios; como espaço, o Brasil e além.

Um ano depois, em abril de 1994, em Denver, Co., o Senhor novamente falou conosco. Estávamos numa reunião de líderes, sentados numa fileira de cadeiras, na seguinte ordem, da esquerda para a direita: Márcia, Jorge, Neuza e eu; à minha direita, estava outro casal, que nunca tínhamos visto até então.

Era um momento profético e todas as pessoas que tivessem alguma palavra deveriam se dirigir até o microfone e ministrar. De repente, a senhora à minha direita se levanta e se dirige a mim e Neuza, lendo de seu caderno a seguinte palavra profética: “Eu os chamei para que sejam fiéis ao seu chamado; fiéis ao chamado para o qual vos chamei. Estejam certos do vosso chamado, pois somente na convicção de seu chamado é que vocês podem ser fiéis a ele. Ao promovê-los (não temam a esta promoção), estarei com vocês em cada passo e em todo passo que derem no caminho. Ao buscarem a minha face eu lhes mostrarei a segurança e a certeza de vosso chamado”. Ass.: Herb and Anita Jane Flint. Indianápolis, IN, 21 de abril de 1994.

Naquela mesma conferência, em uma reunião de pequeno grupo, Deus voltou a falar conosco. Foi através do pastor Neil, esposo de Noline, casal que hoje trabalha com David Wilkerson. A palavra foi: “Vocês serão prensados a ponto de se tornarem diamantes; e, então, eu os usarei para minha glória”.

Assim, nasceu o Ministério Grão de Mostarda. Hoje, olhando para tudo o que nos aconteceu, nos firmamos mais e mais na certeza de que estamos exatamente onde Deus quer que estejamos e que estamos fazendo exatamente o que Ele quer que façamos. Assim, podemos dizer:

UMA FILOSOFIA ECLESIAL PRÁTICA

Um ministério eclesiástico ou uma organização denominacional, que se valoriza, precisa colocar seu conjunto de valores, ideias, postulados e revelações dentro da moldura do ministério de todos os cristãos, caracterizado aqui de uma filosofia eclesial.

Nesta seção, eu quero compartilhar com você uma visão prática que tem direcionado a nossa filosofia eclesial. São frases e pensamentos a respeito da existência e funcionamento da igreja e do ministério que ajudam a manter o foco no trabalho que Deus nos deu para desenvolver. Intencionalmente eu não desenvolvi e ampliei esses pensamentos, para que cada líder, pastor, empreendedor cristão possa, em oração e submissão a Deus, fazer a aplicação necessária à sua vida e ministério.

  • Não temos uma igreja para ir; somos uma igreja para levar.
  • Não só fazer, mas também ser. Às vezes, a igreja local se dedica tanto às suas atividades, que acabar se esquecendo de sua missão de SER.
  • No mundo, os pré-cristãos não leem a Bíblia; eles observam a vida dos discípulos de Cristo.
  • A Igreja postulada[1]constitui-se um obstáculo à verdade do Evangelho, à atuação eficaz da Igreja e à sua atuação.
  • Evento “é vento”, enquanto que o estilo de vida é consistente e produz frutos duradouros; programas ocasionais só agitam as pessoas, tornando-as eufóricas por algum tempo.
  • Teologia e Práxis. Uma teologia revitalizada conduz a uma prática dinâmica. É importante notar o quanto uma teologia sadia pode redefinir e reorganizar a nossa mente e a nossa consciência ministerial, pois cria em nós uma atitude positiva para um ministério revitalizado.
  • “Igreja, vá para casa! Lá é o seu lugar”. Se Jesus saísse à porta, ordenaria: “Igreja, para casa!” Creio que a Igreja que Jesus projetou, fundou e mantém, tem como seu ambiente natural as casas. Estudiosos da Bíblia e a história da Igreja confirmam que os mais importantes e maiores avanços da fé e prática cristãs dependem do retorno da Igreja para o seu ambiente familiar.
  • Antes de se expandir – “alargar o espaço da sua tenda, antes de estender o toldo da sua habitação, e antes de alongar as cordas e firmar bem as suas estacas” – sem impedimentos, a igreja precisa se encolher. Uma igreja não deve ser subdesenvolvida nem uma igreja faraônica. Cada igreja (congregação/comunidade) deve ser do tamanho próprio, levando-se em consideração sua idade e outros fatores relacionados a ela. Ao multiplicar-se e assumir novos territórios, a igreja estará se encolhendo e assumindo uma forma e tamanho que nos previnem de uma atitude megalomaníaca. Em pequenas congregações, a igreja pode existir e funcionar adequadamente, centrada em Jesus Cristo, seu fundador. Assim, a igreja será pequena e grande ao mesmo tempo.
  • A Igreja precisa de líderes bem preparados, firmes e resolutos. Ela não deve se esquecer de que foi projetada para funcionar como um corpo, mediante uma liderança compartilhada, não centralizada.
  • O jogo de quebra-cabeça mantém suas peças em seus lugares, de acordo com suas cores e formas.
  • O ministério pastoral funciona pelo princípio do sacerdócio universal, embora a presença de um líder catalítico seja necessária. O líder catalítico é capaz de conduzir com habilidade um processo revolucionário para alcançar e manter resultados a curto, médio e longo prazo.
  • Sobre a natureza da igreja, precisamos entender se somos organização ou um organismo, uma instituição ou um grupo institucionalista.
  • Nós lidamos com valores relativos e valores absolutos. Por exemplo, valorizamos nossa estrutura, nosso nome e nossa reputação eclesiástica – valores relativos – que são os meios de transmitirmos a realidade espiritual; adoramos a Deus e louvamos a Jesus Cristo – valores absolutos.
  • Estamos na contramão! Ao invés de convidar as pessoas para visitar nossa igreja, nós preferimos levar a igreja até as pessoas.
  • A igreja não deve ser a igreja da cidade, mas uma igreja para a cidade.
  • A Ceia do Senhor não é uma missa, mas um sacramento.
  • O batismo não é apenas um ritual de entrada, mas um sacramento para remissão de pecado, de aceitação de aceitação do evangelho e inclusão no Corpo de Cristo.
  • A igreja não é apenas uma receptora, mas uma transmissora dos valores eternos.
  • O princípio da economia (oikósnomos) deve sempre ser observado por nós. Fazer o máximo com o mínimo de recursos.
  • Nosso jejum deve ser primeiramente moral, depois, material. Subjetivo, depois, objetivo. Primário, depois, secundário (Is 58.1-14).
  • A nossa consagração deve ser primeiramente para Deus e não para alcançar nossos objetivos pessoais.
  • O crescimento da igreja, o aumento de congregações e a inclusão de novos membros deve ser de modo natural e não o resultado de uma estratégia artificial e periférica.
  • Cristãos se reproduzem em outros cristãos; igreja se reproduz em outras igrejas.

Os pontos apresentados acima, nesta seção, constituem-se, em parte, a nossa filosofia eclesial. O objetivo deste trabalho foi colocar a igreja em destaque, como uma foto numa moldura. Dentro desse contexto, Filosofia Eclesial é como uma usina nuclear e está carregada de ideias, valores e convicções. Ela nos inspira o tempo todo, nos motiva para o trabalho do Senhor e nos conclama a participar de desafios cada vez maiores.

Esta filosofia não é político-democrática, mas aberta à participação ministerial. Muito antes das técnicas e das metodologias, esta filosofia já estava presente com seu poder capacitador, que assalta nossa mente e coração para nos tornar membros apaixonados de um movimento mundial que começou com o Filho de Deus em Jerusalém, no ano trinta aproximadamente. Com essa filosofia em nossas mentes e corações, seremos sempre vitoriosos, sem precisar fazer parte de ondas triunfalistas. Quando encontramos obstáculos, não sucumbimos nem nos deixamos esmorecer de vez, pois dentro de cada um de nós tem uma reserva de energia que nos permite “olhar firmemente para Jesus, o autor e consumador da nossa fé” e, assim, continuamos em nossa caminhada.

Todo verdadeiro líder está cheio desta Filosofia Eclesial. Esses são orientados pela virtude da perseverança, dotados da arte de enfrentar oposições, com autoridade, moderação e doçura. Um ministério, formado por líderes com essa Filosofia, também está preparado para todas as circunstâncias. Esse ministério está pronto a responder conforme o caráter e ensinos de Jesus.

[1] Conceituamos postulado, neste trabalho, o que é fruto da elucidação humana e não expediente de revelação divina.

UMA GRANDE VISÃO E UMA GRANDE PAIXÃO, MULTIPLICAR O NÚMERO DE DISCÍPULOS

Deus chamou o MGM para uma grande visão e uma grande paixão: multiplicar o número de discípulos. Isso tem um fim próprio no coração de Deus. É para a sua glória e seu louvor. Deus é um Deus de multiplicação; está em sua natureza criativa. É o grande desejo de Deus aumentar sua família e isso pode ser notado em Apocalipse 7:9-17:

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém! Um dos anciãos tomou a palavra, dizendo: Estes, que se vestem de vestiduras brancas, quem são e donde vieram? Respondi-lhe: meu Senhor, tu o sabes. Ele, então, me disse: São estes os que vêm da grande tribulação, lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.

Eu estou profundamente agradecido ao Senhor por me ter incluído no seu eterno plano de fazer e multiplicar discípulos para a glória e honra do seu glorioso nome.

“Entretanto, a palavra de Deus continuava a crescer e a espalhar-se” (Atos 12:24).

Temos a alegria e a gratidão a Deus por Ele nos ter concedido uma grande visão e uma grande paixão.

AMBIENTES ONDE SERVIR A DEUS E CULTIVAR NOSSA VIDA CRISTÃ E MINISTERIAL

Todo ministério tem suas características e metodologias na realização de sua fé e de seus serviços para Deus. O MGM também tem suas maneiras próprias para conduzir seus membros ao desenvolvimento, crescimento e maturidade espiritual e na realização dos serviços que Deus nos comissionou a fazer. Assim, temos proposto sete ambientes onde podemos encontrar as melhores condições para tal.

AMBIENTES

  1. O lugar secreto (Mateus 6:6)
  2. Onde estiverem dois ou três (Mateus 18:20)
  3. A igreja em sua casa (Romanos 16)
  4. A celebração (I Coríntios 14:20-40)
  5. A celebração conjunta (I Coríntios 14:20-40)
  6. O encontro nacional (I Coríntios 14:20-40)
  7. A grande celebração, conforme descrita em Apocalipse (Ap 21 e 22).

Além desses, existem muitas outras situações que poderiam ser consideradas, entretanto, essas, acima citadas, são as básicas. Cremos que elas oferecem todas as condições necessárias ao nosso crescimento e satisfazem a todas as nossas necessidades. Fora dessas orientações, consideramos exceções que ficam a critério da liderança do MGM.