Por: Daniel Rincon

A criança nãocriancas é um adulto em miniatura, como dizem algumas pessoas. Ela é um ser humano em desenvolvimento, com personalidade própria em formação, possuindo idéias, aspirações e interesses, próprios de sua idade.

Se alguém não sabe dar valor a uma criança, ela reflete insensibilidade quanto ao significado da vida infantil. Estas pessoas, na maioria das vezes, mostram indiferença quanto às crianças por pessoa projetar seus próprios traumas, adquiridos nos primeiros dias de vida.

Dessa forma, os pais devem procurar estudar e observar a vida de seus filhos, para, não só ensiná-los no “caminho em que devem andar”, como diz a Bíblia, mas também, aprender com eles lições que só na escola do aprendizado da vida é possível assimilar.

REPENSANDO A CRIANÇA

Dorothy Law Nolte, com profunda inspiração sobre o valor da criança, escreveu:

A criança que é sempre criticada,

Aprende a condenar.

A criança que é sempre hostilizada,

Aprende a agredir.

A criança que é sempre ridicularizada,

Aprende a ser tímida.

A criança que é sempre envergonhada,

Aprende a sentir culpa.

A criança que é tratada com tolerância,

Aprende a ser paciente.

A criança que é encorajada,

Aprende a ser confiante.

A criança que é elogiada,

Aprende a apreciar.

A criança que recebe um tratamento imparcial,

Aprende a ser justa.

A criança que vive com segurança,

Aprende a ter fé.

A criança que é aprovada,

Aprende a gostar de si mesma.

A criança que vive em meio à aceitação e amizade,

Aprende a descobrir o amor no mundo.

Os pais crentes em Jesus Cristo precisam ser exemplo no trato com os filhos. A Bíblia nos mostra um texto muito interessante, no livro de Jeremias, em que vemos a expressão de Deus, em relação a seu filho Efraim, um tipo de Israel:

“Não é Efraim para mim um filho precioso? Criança das minhas delícias? Porque depois que falo contra ele,ainda me lembro dele solicitamente;Por isso se comovem por ele as minhas entranhas:Deveras me compadecerei dele, diz o Senhor” (Jeremias 31:20).

Nesse versículo Bíblico, podemos destacar alguns indicadores do comportamento desejável dos pais para com os filhos, no sentido de valorizá-los, amando-os, e cuidando deles para que tenham personalidade firme e se sintam felizes. Vejamos:

Valorização do Filho: “Não é para mim um filho precioso?”.

O fator valorização, ou seja, dar valor, tem muito efeito na formação espiritual, emocional, moral, social e física dos filhos. Aprendemos muito bem a valorizar as pessoas adultas. Uma das expressões do aprendizado deste princípio é no aniversário. Visitamos, presenteamos e evidenciamos suas qualidades. Damos valor aos nossos filhos também. Porém não na mesma proporção que damos para um adulto. Mas são as crianças que mais necessita sentir-se valorizada.

Uma criança que é valorizada por seus pais tem normalmente uma auto-estima elevada. Não se sente frágil, mas vê-se a si mesma como alguém que é apreciado, reconhecido, mesmo que não entenda nada de conceitos psicológicos.criancas-1

Quando Deus diz “filho precioso” fala de valor espiritual acima de tudo. Os pais devem entender que os filhos não são apenas resultado de uma união biológica, muitas vezes fora do tempo desejável. Na verdade eles são “herança e galardão do Senhor” (Salmo 127:3). Podemos dizer que os filhos são talentos vivos, entregues por Deus aos pais para que sejam trabalhados na sua formação espiritual e em todos os demais aspectos da vida.

Assim como Deus vai cobrar de seus servos o que fizeram com os talentos materiais ou espirituais, da mesma forma, Ele vai cobrar dos pais o que fizeram com os filhos, pelos filhos e para os filhos, no sentido do preparo deles para a obra do Reino, frutificando para Deus.

Nessa valorização, é necessário que os pais apreciem o que os filhos fazem, elogiem-nos no momento certo. Conversem com eles, dialogando, trocando idéias; sendo-lhes afetivos e carinhosos.

Satisfação pelos Filhos: “criança de minhas delícias”.

Nesse aspecto, vemos a alegria de Deus por Efraim, seu filho pequeno. Da mesma forma, os pais devem demonstrar alegria pelos seus filhos. Louvar a Deus por cada um dos filhos. Demonstrar alegria pela existência deles, perante eles e perante as outras pessoas, é fundamental para a valorização dos pequenos servos de Deus.

A benção, em cada fase da vida, é essencial para o crescimento e prosperidade emocional e espiritual dos filhos. Se a criança, ou até mesmo o jovem, se sente desprezado, rejeitado, que não é bem vindo, ignorado, se não se sente aceito, ou se ele não se sente parte daquela família, não conseguirá liberar todo potencial que tem dentro de si, para ser quem Deus o chamou para ser.

Os pais devem dizer aos filhos quanto os apreciam e são felizes por terem-nos em sua vida. Um sorriso, um gesto de amor ou até um toque físico (um abraço, um beijo) vale mais do que brinquedos e presencriancas-3tes caros.

Quando o pai ou a mãe diz a um filho: “filho, eu amo você; estou alegre com você”, isso provoca em sua mente um efeito psicológico positivo, que o faz sentir feliz. Seu cérebro produz uma substância (endorfina) que causa bem-estar emocional e físico.

Ao contrário, quando o filho ouve palavras duras, sente-se dominado por emoções negativas, que o levam à frustração e à depressão. Aliás, uma das causas que mais levam os adolescentes às drogas, à prostituição e ao descaminho é a falta de afeto, de amor e apreciação por parte dos pais. Já é bem conhecido um adesivo, colocado nos carros, em que está escrito: “Ame seu filho antes que um traficante o adote”.

Antigamente os pais achavam que só prover a casa, sustentando financeiramente a mulher e os filhos bastava. Hoje em dia, diante desta colheita devastadora destas condutas, aprendemos que só isto não basta. É preciso ter muito cuidado com a parte emocional e afetiva dos filhos, desde crianças. Isto de maneira alguma é secundário na criação de nossos filhos.

Vale a pena demonstrar alegria pela vida dos filhos.

Disciplina: “porque depois que falo contra ele…”

Há pais que pensam fazer o melhor para os filhos, deixando-os inteiramente á vontade, para fazerem o que bem querem. É um triste engano. A disciplina faz parte indispensável da formação do caráter e da personalidade.

A Bíblia, em sua suprema sabedoria, manda disciplinar o filho, inclusive utilizando, se necessário, a “vara da correção”.

Diz a Palavra de Deus:

“A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe”…”castiga a teu filho, e te fará descansar; e dará delícias à tua alma”. (Provérbios 29:15 e 17).

Os psicólogos modernistas têm dito que os pais não devem imprimir qualquer tipo de castigo, visando a disciplina dos filhos. Dizem que basta dialogar. Tal entendimento é irrealista, e contraria os princípios da Palavra de Deus para a criação dos filhos. Se a Bíblia diz que os pais devem disciplinar os filhos, incluindo castigo físico, é porque esse deve ser o comportamento melhor para forjar o caráter e livrá-los do pecado e do inferno.

Evidentemente, o castigo físico, no sentido estreito da expressão, só deve ser aplicado a crianças pequenas, até no máximo 8 (oito) anos, visto que , muitas vezes , não entendem a linguagem racional. Precisam de um “estímulo” físico para entender. Este não deve jamais causar lesões físicas ou emocionais. Nunca corrija seu filho estando irado ou na frente de outras pessoas. Primeiro se controle para depois corrigi-lo, para evitar descarregar sua raiva ao invés de corrigi-lo.

Jamais os pais devem bater num adolescente. Para esses, a disciplina corretiva aplicada pode ser a suspensão de alguma regalia, da mesada, da internet, do direito de assistir televisão, de sair com os colegas, etc. È o que chamamos de suspender os privilégios. Opção A e opção B.

Desse modo, no texto em análise, vemos que o mesmo Deus que considera Efraim “filho precioso”, que se delicia com sua vida, também diz que fala “contra ele”, ou seja, não concorda com os atos errôneos do filho. Aqui não está nos ensinando a sairmos falando mal dos nossos filhos para outras pessoas.

Esta passagem mostra que o filho mesmo sendo valoroso e que nos alegramos com ele, pode cometer erros e que não podemos nos omitir de corrigi-los.

Temos o dever de  disciplinar, mas é por demais importante, que os pais procurem primeiramente orientar e ensinar os filhos. Disciplinar, acima de tudo, é ensinar o caminho, é discipular. Depois, é necessário dar o exemplo. Para só depois disciplinar com correção, se for necessário.

Lembrança: “ainda me lembro dele solicitamente.”

Vemos aqui quanta atenção Deus tinha para com Efraim. Assim como Deus, os pais devem procurar ter a atenção voltada para seus filhos, lembrando-se deles, em suas necessidades, em seus anseios, em seus problemas.criancas-2

A vida moderna tem levado muitos pais a se esquecerem de seus filhos, em função da agitação do dia a dia, do trabalho, do emprego, das tarefas domésticas, e, infelizmente, até por causa das atividades da igreja.

Conhecemos casos de mães e pais que se envolvem tanto nos trabalhos, que se “esquecem”, ou seja, negligenciam seus filhos. Esse é um grande problema decorrente do estilo de vida que domina a maioria das pessoas do nosso tempo.

No texto, vemos Deus dizer que se lembra de Efraim “solicitamente”, ou seja, com cuidado, com interesse, com zelo, com amor. É isso que os pais devem fazer para com seus filhos, principalmente por aqueles que estão em formação, como crianças e adolescentes. Naturalmente, os jovens, com mais dezoito anos, também precisam desse cuidado, dessa lembrança.

Sentimentos Entranháveis: “por isso se comovem por ele as minhas entranhas”.

Certamente, o Senhor queria dizer que, com todo o cuidado que tinha por Efraim. Sentia, no íntimo do seu ser, emoções profundas em favor de seu filho. O cuidado era tanto, que o Senhor se comovia por seu filho.

Esse comover-se faz com que os pais sintam-se emocionalmente bem ligados aos seus filhos, não deixando de lhes dar atenção e apreço.

Compaixão: “Deveras me compadecerei dele…”        

Compaixão é sentimento pelo qual alguém sente paixão pelo outro e com o outro. Normalmente, quem se compadece de outro, é porque se identifica com seus problemas, com seus sofrimentos, com as suas dificuldades.

Os filhos, no mundo em que vivemos, passam por situações que merecem atenção e cuidado. Há sofrimentos entre os jovens, adolescentes e crianças, que precisam de pais compassivos. Muitos pensam que os filhos não sofrem nada, por serem crianças, adolescentes ou jovens. Que nada sofrem porque ainda estão na escola, cercado de amigos, ou que não lhes falta o sustento físico. Pode até não faltarem bens materiais, mas os pais precisam saber como está a alma de seus filhos (suas emoções, suas vontades e seus pensamentos).

Uma jovem suicidou-se, e deixou um bilhete para os pais, pedindo-lhes perdão, mas dizendo que infelizmente não suportava mais viver no mundo, tão cheio de problemas e decepções. No entanto, os pais disseram que não sabiam que sua filha estava passando por algo que merecesse maior atenção.

No Japão, tem sido alto o índice de suicídios entre crianças. Os psicólogos estão estudando o problema, e já concluem que a causa é a vida dos pais, que, preocupados com a competição entre as pessoas, não dão atenção aos filhos.

Conclusão

A valorização da criança é muito importante para os filhos, para a sociedade, para os pais e para o próprio Deus. Se os pais querem ver filhos sadios, espiritual, moral, social e fisicamente, precisam dar o valor que lhes é devido, desde crianças. Não espere que vire um adulto (comumente frustrado sem a atenção dos pais) para escutá-lo, ajudá-lo ou amá-lo. Faça isto hoje, enquanto eles são crianças.